domingo, 17 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Caixas, guardados...
Entro em uma loja a procura de objetos para compor uma imagem, uma imagem que possa falar de subjetividades, foco as caixas. Penso nas caixas em que colocamos nossos guardados reais: presentes recebidos, roupas especiais, joias; enfim diferentes relíquias pessoais que quando visualizamos, ao abrir estas caixas reais, nos defrontamos com as caixas subjetivas, aquelas que pertencem ao mundo das memórias. Em segundos viajamos no tempo, revivendo momentos de imensas alegrias, sentimos o perfume dos outros que fizeram parte destes momentos. Assim, ao construir nossa “obra de arte” a fazemos como uma forma viva, imersa num campo de força e energia que pertencem à vida, que alimenta a alma. Nossos objetos, nossas roupas, enfim nosso corpo revela o interior oculto, os valores que cultivamos e os desejos que alimentamos, bem como aos rituais da vida que reproduzimos como forma de dar vida aos sonhos.
“É quando o corpo a corpo com uma obra (proposição, objeto, ação) nos faz perceber que aquilo que vive nela ressoa com algo que vive em nós. Um delicado ou estrondoso acontecimento de corpos pode nos mostrar coisas sobre „isso‟, sobre essa matéria com a qual se configuram as formas: tanto formas estéticas como formas subjetivas.” (Trecho extraído do Texto: Formação, Estética, Saber, Subjetivação, Contemporaneidade de Cyntia Farina)
Caixas, guardados... revelam minhas caixas de alegrias, amigos e afetos, trabalhos realizados, conquistas alcançadas, obras de arte pessoais, o vestido bordado, a renda produzida - com a arte familiar - desejos realizados, lembranças que aquecem o coração, nos constroem para o enfrentamento do cotidiano, das mudanças, pois trazem a certeza de quem somos, dos desejos maiores e dos valores que cultivamos; plantamos o fortalecimento da família e vamos construindo novas caixas; reais e emocionais, para poder vivenciar e guardar momentos de prazer e alegria.
Brincovo
Brincovo é uma construção de um território irreal; um território que dá passagem ao imaginário, o mundo da infância e do brinquedo, que apesar de irreal reporta um tempo real. Traz para o hoje, o tempo de ontem, com tamanha realidade que provoca experiências capazes de afetar, tocar, emocionar o subjetivo do ser. Uma imagem que surge a partir da memória, um território novo, que no reviver é capaz de transformar o olhar para realidade do hoje.
“Um território dá trânsito às intensidades que circulam e constituem a realidade. Mas, às vezes, essas forças são de uma natureza tal, ou atravessam um território com tal velocidade, que o fazem oscilar, provocando pequenos ou grandes desmoronamentos. A esses processos de desmoronamento totais ou parciais do território Deleuze e Guattari chamaram desterritorialização. E ao processo de voltar a constituir um território depois do abalo sofrido pela invasão das forças, chamaram reterritorialização.” (Trecho extraído do Texto: Formação, Estética, Saber, Subjetivação, Contemporaneidade de Cyntia Farina).
domingo, 26 de junho de 2011
Plantas: afetos e subjetividades.

Olhar, admirar plantas de um jardim que tenho construído ao longo de uma década com o auxílio especial de um irmão: José Carlos. Carinho e atenção que chega através da ajuda na organização do canteiro, na poda da planta ou mesmo na muda de lugar buscando uma melhor distribuição estética.
Outra muda veio de outra irmã muito especial: Antoninha , irmã mais velha (irmã só por parte de pai) presente ao longo de minha existência, a quem devo muitas vivências boas, desde a lembrança de ser a sua aia no casamento, até os churrascos nos finais de semana e as festas de Natal.

As plantas que colocamos em nosso jardim falam um pouco dos outros, um pouco de nós, enfim das pessoas que nos ajudam a construir o nosso canto como espaço de aconchego e felicidade.

Termino no pé de goiaba, revela as origens familiares... o gosto e os saberes herdados das tias maternas: a chimia, a geleia, a goiabada e doce da casquinha. Mas, sobretudo, o afeto e a segurança que estas pessoas representam: irmãos, primos, primas e tias. Família extensa - porto seguro - para enfrentar todas as diversidades. As plantas trazem a presença de vocês na minha vida, e quando nelas observo a visita de uma borboleta lembro os que já se foram ou simplesmente o cuidado de Deus.
Balneário Pinhal uma cidade temática.



Balneário Pinhal, município localizado no Litoral Norte do RS, há uma distância de mais ou menos 100 km da Capital, conta com uma população de 11.517 habitantes, no período de baixa temporada; e, na alta temporada recebe em torno de 40 mil visitantes e veranistas. Seus administradores tem investido no cuidado e a criação de monumentos para caracterização da cidade como Capital Estadual do Mel. Assim encontramos em diversas partes da cidade abelhas ornamentais que indicam caminhos, sinalizam prédios públicos, ou simplesmente enfeitam a cidade e encantam as crianças.
Uma cidade que se destaca pelo cuidado com a sustentabilidade e a inclusão social. Buscando uma administração moderna que visa, sobretudo, o bom atendimento do cidadão. Enfim, uma administração pública que realiza, faz parcerias, busca a promoção da qualidade de vida para a coletividade. Acolhendo a todos que aqui chegam sejam como visitantes, veranistas ou moradores. “Uma praia de amigos.”
Por isso, precisamos estimular nas comunidades a criação de espaços de condições para o desenvolvimento local, buscando a melhoria do nível educacional, o desenvolvimento do capital humano, criando condições para que as pessoas possam tomar iniciativas, assumir responsabilidades, inovar, enfim, desenvolver atitudes empreendedoras. Abrangendo, desta forma, as múltiplas dimensões do desenvolvimento local: econômica, social, cultural, ambiental e físico-territorial, político-institucional e científico-tecnológica que mantêm umas em relação às outras, um relativo grau de autonomia. Essas dimensões surgem no processo de desenvolvimento local, em comunidades que cultivam: democracia participativa; organização popular; desconcentração territorial; redistribuição da terra; ambiente equilibrado e produtivo; priorizar a produção nacional; independência e pertinência tecnológica; soberania alimentar; cooperativismo; trabalho não dependente; cultura local; igualdade de gênero; comunicação livre e alternativa.
· O Desenvolvimento local e racionalidade econômica - Ladislau Dowbor - Fevereiro de 2006;
Universidade Aberta do Brasil – UAB
Programa Nacional de Formação em Administração Pública – PNAP
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
Escola de Administração
Especialização em Gestão Pública Municipal
Disciplina Elaboração e Avaliação de Projetos
TAREFA: Introdução ao Tema Desenvolvimento Local
ALUNA: Neusa Maria carvalho
O presente texto apresenta um resumo dos conceitos de desenvolvimento local, a partir de uma pesquisa na internet, como um fenômeno que resulta das relações humanas. São as pessoas que fazem o desenvolvimento. Assim, o desenvolvimento depende do sonho, do desejo, da vontade, da adesão, das decisões e das escolhas das pessoas, enfim, da existência de protagonismo por parte dos atores locais.
O Brasil apresenta, atualmente, cerca 82% de população urbana, distribuída em cerca de 5.600 municípios - unidade básica de organização política, econômica, social e cultural, pois segundo a Constituição de 1988 os municípios, são Entes autônomos, capazes de decidir a construção da qualidade de vida do cidadão, através de políticas pública cofinanciadas pelo Estado e pela União. É pelo dinamismo e visão das lideranças – empresariais/ políticas/comunitárias - que o município ou a cidade vai programar ações que busquem o desenvolvimento local, com foco sistêmico e amplo visando, conjuntamente, o desenvolvimento global.
Dentro da concepção de desenvolvimento local, trazida por Sérgio C. Buarque, no Material para orientação técnica e treinamento de multiplicadores e técnicos em planejamento local e municipal - Projeto de Cooperação Técnica INCRA/IICA - PCT – INCRA/IICA:
“Desenvolvimento local é um processo endógeno registrado em pequenas unidades territoriais e agrupamentos humanos capaz de promover o dinamismo econômico e a melhoria da qualidade de vidada população. Representa uma singular transformação nas bases econômicas e na organização social em nível local, resultante da mobilização das energias da sociedade, explorando as suas capacidades e potencialidades específicas. Para ser um processo consistente e sustentável,o desenvolvimento deve elevar as oportunidades sociais e a viabilidade e competitividade da economia local, aumentando a renda e as formas de riqueza, ao mesmo tempo em que assegura a conservação dos recursos naturais.”
Neste enfoque, estamos falando em desenvolvimento local, como processos de desenvolvimento, que ocorre em espaços sub-nacionais, sendo que, no Brasil, na maioria dos casos, tais espaços são municipais ou microrregionais (envolvendo certa quantidade de municípios de uma micro região, dentro de uma mesma unidade federativa); como, por exemplo, a divisão das regiões por COREDES utilizada no RS. Estas dimensões territoriais dos processos econômicos são essenciais na busca da compreensão do desenvolvimento de uma cidade ou de uma região. Particularmente, no sentido de acompanhamento das iniciativas do desenvolvimento para o nível local, que aproxima a decisão do espaço onde o cidadão pode efetivamente participar, enfrentando em particular a “marginalidade urbana” ou a exclusão sociocultural que tem se transformado no grande desafio para a sociedade atual. Esta “fratura social” vem se tornando uma forma dominante de manifestação da nossa tragédia social; explicitando-se na sociedade contemporânea como um transbordamento de violência e patologias, individuais e coletivas, desafiando todos os Entes Federativos para o enfrentamento, em busca de melhoria do bem estar das pessoas, como caminho de sustentabilidade planetária.
Friedmann coloca com força a compreensão de que além da regulação empresarial e da regulação governamental, existe um processo de regulação crescente na base da sociedade, a partir do local onde as pessoas vivem na linha do que chamou de “participatory governance”. “Um desenvolvimento alternativo é centrado nas pessoas e no seu ambiente, mais do que na produção e nos lucros. Da mesma forma que o paradigma dominante aborda a questão do crescimento econômico na perspectiva da empresa, que é o fundamento da economia neoclássica, um desenvolvimento alternativo, baseado como deve ser no espaço de vida da sociedade civil, aborda a questão da melhoria das condições de vida e das vivências na perspectiva do domicílio”.
Desta forma, ponto-chave emergente, é a iniciativa, o sentimento de apropriação das políticas, que são devolvidos ao espaço local, onde as pessoas podem participar diretamente, pois conhecem a realidade, e a escala de decisão coincide com o seu horizonte de conhecimento. É neste espaço local que acontece ou não a constituição do sujeito como cidadão: um ser capaz de pensar e agir na busca do crescimento pessoal em harmonia com o crescimento da coletividade.
O desenvolvimento local está associado, normalmente, a iniciativas inovadoras e mobilizadoras da coletividade, articulando as potencialidades locais nas condições dadas pelo contexto. Como diz Arto Haveri, “as comunidades procuram utilizar suas características específicas e suas qualidades superiores e se especializar nos campos em que têm uma vantagem comparativa com relação às outras regiões” (Haveri, 1996).- Material para orientação técnica e treinamento de multiplicadores e técnicos em planejamento local e municipal - Projeto de Cooperação Técnica INCRA/IICA - PCT – INCRA/IICA.
Por isso, precisamos estimular nas comunidades a criação de espaços de condições para o desenvolvimento local, buscando a melhoria do nível educacional, o desenvolvimento do capital humano, criando condições para que as pessoas possam tomar iniciativas, assumir responsabilidades, inovar, enfim, desenvolver atitudes empreendedoras. Abrangendo, desta forma, as múltiplas dimensões do desenvolvimento local: econômica, social, cultural, ambiental e físico-territorial, político-institucional e científico-tecnológica que mantêm umas em relação às outras, um relativo grau de autonomia. Essas dimensões surgem no processo de desenvolvimento local, em comunidades que cultivam: democracia participativa; organização popular; desconcentração territorial; redistribuição da terra; ambiente equilibrado e produtivo; priorizar a produção nacional; independência e pertinência tecnológica; soberania alimentar; cooperativismo; trabalho não dependente; cultura local; igualdade de gênero; comunicação livre e alternativa.
Concluo, com a certeza de que podemos fazer muitas coisas, mas o básico, o fundamental, é o fortalecimento do processo democrático e o empoderamento do cidadão, com ações que busquem: gerar renda, multiplicar o número de proprietários produtivos, elevar o nível de escolaridade da população e aumentar o número de organizações da sociedade civil. Democratizando, assim, o acesso aos bens culturais e naturais do planeta, descentralizando recursos, gerando pertencimento e fortalecimento das comunidades, resultando numa construção de identidade das cidades, focando o trabalho em parceria, com a negociação dos conflitos, definição de ações conjuntas, através de uma reeducação política e gestão participativa, onde as pessoas assumem ações de solidariedade concreta, em busca do bem comum.
Fontes de Consulta:
Textos da internet:
· O Desenvolvimento local e racionalidade econômica - Ladislau Dowbor - Fevereiro de 2006;
- Desenvolvimento local -Territórios, redes e desenvolvimento;
- Mais definições em trânsito - DESENVOLVIMENTO LOCAL - Carolina Santos Petitinga;
- Aproximações ao enigma: O que quer dizer desenvolvimento local? – Francisco de Oliveira;
- Metodologia de Planejamento do desenvolvimento local e municipal sustentável - Material para orientação técnica e treinamento de multiplicadores e técnicos em planejamento local e municipal - Sérgio C. Buarque – Economista.
Reflexões, sentimentos e saudades...
Ao olhar a janela do meu quarto observo minhas plantas, hoje, em especial o pé de manga, nascido das sementes desta fruta que minha mãe tanto gostava. Penso na Vó Tetê – Therezinha Lima de Carvalho, falecida no ano de 2009, aos 78 anos de idade.
A Dona Tereza do Seu Manequinha... A Dona Tereza do armazém... Minha mãe. Foi trabalhadeira, benzedeira, enfermeira, professora, comerciante... Mulher determinada no sentido de buscar o melhor para os filhos. Penso que mãe não morre, volta para junto do Pai e permanece viva nesta existência através dos filhos, dos netos e bisnetos que deixou. Deixou amigos conhecidos, pessoas que ajudou com seus cuidados e saberes.
Neste texto relembro seus ensinamentos, a ajuda para cuidar e criar os meus três filhos. Nos últimos nove anos de vida nos ensinaste muito, vítima de um AVC, presa numa cadeira de rodas, conversava com os olhos sempre com brandura e paciência, sempre olhar tranquilo. Sempre amada e querida.
Depois que fostes embora eu e a Tia Nina ainda esquentamos a águas para tua higiene, nos lapsos de memória, ainda busquei pelo olhar os produtos que comprava especialmente para ti. Hoje ficou saudade... Não dói... A fé nos dá a certeza de que voltaste para a grande Luz de onde vieste. Que possas nos auxiliar onde o humano não alcança... Obrigada pela tua estada conosco, pela vida que nos deste, pelos saberes e valores... Enfim por aquilo que somos. Que sejas muito feliz na tua nova morada, pois com certeza hoje és Tereza Luz.
Este texto onde falo da minha mãe, apresenta muito da minha subjetividade e angústias, como uma ferramenta, onde reflito sobre os seres humanos, para pensar na evolução da humanidade, seus relacionamentos intra e interpessoais; podendo inclusive rever o axioma: o homem é um transformador de energia e termos da alquimia, que foram retomados por Freud, onde verificamos a insistência no fato de existência de energia no homem, sujeita a transformações dentro do ponto de vista em que a vida começa com energia.
Pensando nas grandes fases da vida do ser humano:nascimento, infância, adolescência, juventude, maturidade , velhice e o término desta com a morte. A morte é o término da vida do indivíduo, segundo a tese da morte definitiva como fim da evolução individual; porém segundo a tese da sobrevivência parcial: podemos acreditar na sobrevivência física, ou na sobrevivência biogenética, ou na sobrevivência psicosociológica, ou na sobrevivência psicoemocional. Assim, de acordo com esta linha de pensamento, de alguma forma contribuiremos para formação, desenvolvimento e evolução de outros seres humanos através de nosso trabalho, de nossa própria existência
.
"O self é o princípio, dentro de cada um de nós, que nos faz superar os desequilíbrios da dualidade própria da percepção do ego, onde o homem é um potencial, uma grande semente que precisa se abrir, crescer, desabrochar: em suma atualizar o self, o seu ser interior; tomando plena consciência de si mesmo e de sua unidade com o universo." (WEIL,1991, p. 126)
Esta riqueza de idéias nos ampliam a consciência e importância do dia de hoje, do fazer diário, pois dele depende a amanhã, meu enquanto indivíduo, mas de toda coletividade, pois enquanto humanos estamos interligados. Mas isto tudo é muito louco!
Por isso, mais uma vez agradeço a existência de minha mãe e a minha própria existência, que procuro - dentro do meu possível - entregar ao Criador a cada dia.
Fonte de Consulta:
WEIL, Pierre Giles. As fronteiras da evolução e da morte: os limites de transformação da energia no homem. Petrópolis, Vozes,1991.
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